Sair descalça na rua pra pegar o cachorro que saiu correndo enquanto eu abria a porta... É isso que quero.
Há dias que são aqueles dias quando são preenchidos por detalhes que só eu sei perceber e que só a mim fazem diferenças. Gosto de ver a lua e lembrar de alguém. Não porque é romântico, mas porque eu apenas lembro de seja lá quem for. Gosto dos dias em que eu me levanto tarde e não preciso me preocupar se tem alguém no portão chamando o meu nome. As vezes eu prefiro ficar acompanhada, só que ao contrário. Ouvir barulho dos grilos na escuridão enquanto lá em cima as estrelas trazem aquela sensação e respirar aquele ar ao lado de uma árvore enquanto vejo o senhor do outro lado fechar o portão da casinha enfeitada e aconchegante que eu queria morar. Tem dias que eu queria apenas ficar descabelada, estar vestida com a roupa mas desajeitada e velha e ficar largada sem me preocupar com visitas a me procurar; é isso que a Beatriz pensa sobre um dia legal também. Acho que todo mundo devia ter uma Beatriz. Eu tenho.
As vezes eu penso demais, mas isso é bom pra quem gosta de coisas fantásticas. Geralmente o que é fantástico pra mim é apenas mais um menino na rua fazendo coisas legais ou uma chuva que cai impedindo alguém de ir á uma festa em que se programou a semana inteira.
As vezes eu sou sensível demais. Mas a sensibilidade traz a verdade por trás das coisas. Traz nas coisas, coisas que transformam um dia, que transformam a vida; que transformam até o que eu nem sabia que existia.