Vaso de vidro

Pensou num momento frio. Momento mórbido e triste. No topo das memórias ela encontra os momentos de início e meio infelizes com finais quase felizes. Um choro, um "inspira e expira fundo..." acontece enquanto ela lembra. Lembranças de dores, de dor, do que doeu, dói; de pessoas.
- Chora menina! Chora mesmo!
- Cansei de ser um vaso de vidro! Estou trincada, riscada, até pedaços me faltam. Eu firo com os pedaços que me restaram.
- Quem te feriu?
- Que me feriu, me feriu bem.
- Quem te amou?
- Um pouco. Poucos me deram flores. Poucas das flores não murcharam.
Lhe deram as sementes das flores. Quando ela chora, chora em cima das sementes para que elas germinem as flores.
- Quem é você, menina? Qual é o seu nome?
- Me chamo Esperança.



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© Borboletra