Se eu fosse algo além de ser um alguém, eu seria um jardim. Não apenas uma flor em um solo, mas eu seria as flores plantadas na terra com insetos caminhando e voando sobre mim. Insetos de vida, de trabalho, de pólen. Eu amaria as abelhas! O ferrão delas não me feriria; eles apenas carregariam os filhos meus para espalharem vida pelo mundo.
Uma sábia poetisa uma vez poetizou que devemos plantar o nosso jardim e decorar a nossa alma, ao invés de esperar que alguém nos traga flores. Depois de muito tempo de ter ouvido isso, de ter vivido tantas coisas, eu de fato acredito que só se vive bem, se a gente tem um jardim em nós. Algumas flores plantadas pelo amor, outras pela dor, mas em tudo são flores. Quem se importa com os espinhos da rosa quando olha para a rosa, quando sente o cheiro da rosa e quando dá ou recebe a rosa de alguém? Ninguém odeia flor.
Eu quero ser um jardim. Pode ser pra os outros, mas eu quero ver um jardim em mim e se puder, eu quero ser toda jardim. E não importa quantas flores arranquem; sempre vai ter espaço para um novo broto surgir. E se alguém me olhar, e desejar ter as flores que há mim, é só dizer, que eu vou falar com as abelhas pra levar as minhas flores para quem pedir.
