No meio do caminho eu me surpreendo com um golpe de profunda dor. É como um copo de vidro que quebra deixando cacos no chão e eu piso em cima, rasgando a pele que fica profundamente perfurada, mas que não me impede de andar. Continuo a caminhar, pois o tempo não para a caminhada. Quando olho para trás, vejo o rastro das marcas das pegadas com o sangue que jorrou de mim e no início, onde tudo começou, uma grande poça de sangue que a essas horas coagulou. Na medida que os passos ficam mais distantes, menos marcas de sangue eu vejo no resto do caminho. Olho para baixo e vejo meus pés cansados e sujos de vermelho. O que sei é que o primeiro passo dói mais do que último. E por último, sara.
A caminhada continua e agora eu sinto os pés na grama fria e macia. Eu corro e me deparo com uma poça de lama que se formou na chuva onde dancei. Deixo os rastros de lama no caminho até que a lama endurece. Olho para trás, vejo as pegadas de lama que deixei. Olho para baixo, vejo meus pés sujos de marrom. O que sei é que dancei na chuva que melou meus pés. Caminho agora por outro caminho. Piso na areia que eu achei que fosse macia, mas além de macia é quente demais, pois o sol a ferveu. Corro pulando e mudo o caminho, pois os pés estão queimando quase formando bolhas. Olho para trás, vejo as pegadas na areia e elas estão desordenadas geradas pela fuga do solo hostil que a areia se mostrou ser. Olho para baixo e vejo meus pés sujos da areia que me queimou. O que sei, é que é melhor sair com poucas bolhas nos pés e mudar o caminho, do que permanecer no caminho e queimar o pé inteiro. Caminho, caminho e quando finalmente paro pra ver o caminho inteiro atrás de mim, eu vejo pegadas alternadas entre pegadas de sangue, de lama, de areia e outras que reconheci. O que sei, é que o caminho sempre muda e as pegadas também.
A caminhada continua e agora eu sinto os pés na grama fria e macia. Eu corro e me deparo com uma poça de lama que se formou na chuva onde dancei. Deixo os rastros de lama no caminho até que a lama endurece. Olho para trás, vejo as pegadas de lama que deixei. Olho para baixo, vejo meus pés sujos de marrom. O que sei é que dancei na chuva que melou meus pés. Caminho agora por outro caminho. Piso na areia que eu achei que fosse macia, mas além de macia é quente demais, pois o sol a ferveu. Corro pulando e mudo o caminho, pois os pés estão queimando quase formando bolhas. Olho para trás, vejo as pegadas na areia e elas estão desordenadas geradas pela fuga do solo hostil que a areia se mostrou ser. Olho para baixo e vejo meus pés sujos da areia que me queimou. O que sei, é que é melhor sair com poucas bolhas nos pés e mudar o caminho, do que permanecer no caminho e queimar o pé inteiro. Caminho, caminho e quando finalmente paro pra ver o caminho inteiro atrás de mim, eu vejo pegadas alternadas entre pegadas de sangue, de lama, de areia e outras que reconheci. O que sei, é que o caminho sempre muda e as pegadas também.
