Ele parou sentado no chão; parecia cansado até que levantou os olhos e os lançou em minha direção. Parecia curioso, mas logo esboçou um lindo sorriso para mim. Eu o retribuir com um meio sorriso assustado. Acho que me sentia convidada a sair de casa e correr, pular e rolar na chuva, mas me sentia obrigada a ficar em meu lugar e me contentar apenas em tentar imaginar o que aquele garoto sentia e pensava enquanto brincava ensopado de água. Enquanto eu tentava conter minha vontade de sair na chuva, o garoto levantou-se outra vez para correr e desfazer as novas poças de água formadas no chão. Ele estava tão feliz. Olhou para mim mais uma vez e fez um sinal com as mãos. Me chamava.
A expressão que aquele garoto fez me fez sair e sentir os primeiros pingos de chuva que o céu me enviava. Saí correndo com a língua para fora tentando sentir o gosto da chuva que caía. Em instantes estava ensopada com os cabelos completamente molhados. Parei na frente do garoto que naquele momento ria de mim. Ele pegou em minhas mãos me conduzindo a dançar loucamente na chuva. Puláva-mos, giráva-mos, jogáva-mos e roláva-mos no chão sem se preocupar com as expressões de quem passava. Eu pude sentir o que o garoto sentia, pensar o que pensava por fazer o que ele estava fazendo e com ele eu somava mais uma voz no meio da chuva que ria altamente mostrando a felicidade que muitas vezes descartamos por achar que o que queremos fazer é algo bobo e vergonhoso.
Meu dia jamais foi tão ensolarado quanto este.