- É tão bonito! - Diz a menina que segura a boneca com um vestido rosa.
- Quer guiá-la? - O garoto lhe estende a mão, oferecendo o carretel azul que segura sua pipa.
A menina coloca os ouvidos perto da boca de sua boneca como se estivesse ouvindo algo. Um conselho eu diria.
- Morgana acha que não devo. Ela me disse que isso pode ser complicado.
O garoto não entendia e ela parecia um pouco confusa. Queria aceitar, mas tinha medo.
- Complicado? - Disse o garoto que logo em seguida riu.
- Sim.
- Não é difícil guiar uma pipa. Imagine que o céu é um quadro; você é o pintor; o vento sua mão e a pipa o pincel.
Ela se mostrou interessada. A ideia de pintar o céu parecia muito boa e a pipa era tão simpática com aquelas cores. Aceitou. Pegou o carretel e como se estivesse costurando, guiou a pipa com a maior delicadeza que podia.
- Isso é bom! - Disse ela com os olhos que brilhavam ao acompanhar a pipa no céu.
Por um momento, ela pensou que ela era aquela pipa. Ela se sentia no topo do céu; o vento que guiava a pipa para lá e para cá, também mexia com os pensamentos da menina.
- Você está sentindo? - Disse o a garoto.
- Sentindo... o que? Disse a menina que não desviava sua atenção da pipa que guiava.
- A primeira vez que guiei uma pipa me fez sentir como é bom poder ter algo nas mãos. Algo que você pode guiar. É como a vida.
- Como a vida? Não entendo o por que...
- Temos a pipa nas mãos; a guiamos, mas nem sempre temos poder sobre ela, pois o vento está aí e é ele que diz a direção. A vida é assim. Nem sempre vamos na direção que queremos.
A menina continuava o olhar para a pipa, mas refletia. Por um pequeno período olhou para o menino e disse:
- Então se o vento não existisse, poderíamos guiar a pipa para onde nós acharmos melhor, sem se preocupar com a mudança de rumo.
O garoto mais uma vez riu; e disse:
- É. Mas, é preciso do vento para manter a pipa no ar. Sem ele, a pipa não vai para nenhuma direção. Ela fica parada. Ainda que na vida temos ventos que nos levam para direções diferentes; precisamos dele para manter a nossa vida no ar; indo para as mais diversas direções.
Ouvindo isso, a menina segurou melhor o carretel e saiu correndo levando a pipa para diversas direções. Girava, pulava, sorria e as vezes parava para descansar; mas uma coisa não deixava de fazer; sempre mantinha a pipa no ar.