Dente-de-leão

- Não me sinto delicada!
- Mas, você é! Olha só...
Dudu pegou um dente-de-leão e colocou nos cabelos de Cristine. 
- Eu não sou delicada! Gritou a garota pegando a flor a jogando no chão.
- Ainda acho você delicada. 
Parecia que quanto mais ele falava a palavra "delicada", mais ela ficava vermelha de raiva.
- Olha aqui, seu garoto estúpido! Já disse que não sou delicada! E se você continuar e dizer isso, puxo as suas calças e coloco minhocas dentro dela!
Por uns instantes ele ficou calado. Olhou de lado e percebeu que Cristine estava com um olhar distante. Ele queria saber o que ela estava pensando. Olhava para o rosto dela, tão sujo de lama. As roupas o que dizer? Tão sujas quanto as dele. Agora estava lembrando da corrida em cima da ladeira que lhes ocausinou uma queda. Ele via agora os dois rolando no chão com poças d'água. Suas mães iriam esbravejar quando vissem o estado em que haviam ficado. Ele riu. Sem perceber estava perto. Bem perto do rosto de Cristine; e como num movimento involuntário, beijou sua bochecha. Quando percebeu o que havia feito, olhou para ela e viu seu rosto vermelho. Não sabia se de raiva ou vergonha. O que fez? Correu. Correu enquanto ela gritava dizendo:
- Seu garoto estúpido! É melhor correr! 
Quando ele sumiu de vista, a calmaria veio sobre ela. Sentou-se e sorriu pegando o dente-de-leão no chão soprando-o e entregando-o ao vento. Estava sendo delicada.
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© Borboletra