Nudez

Me encontro sem muitos espaços completos no guarda roupa. Muitas coisas já não cabem em mim, outras são coloridas demais. Aprendi a gostar do preto e a gostar das flores estampadas no preto. Algumas das roupas mais lindas que eu vesti, estão velhas, não encaixam mais tão bem ou simplesmente mudei pra elas. Mudei os sentidos, as direções, as ideias e até o que eu achei que não mudaria, mudou. Olhei pra trás e vi alguém tão diferente de mim, mesmo sendo esse alguém, eu mesma. Ontem eu me deitei assim e hoje acordei de outro jeito. Me desconstruí e não gostei de tentar juntar os antigos pedaços, pois quando tentei encaixar de volta, não serviu. Preciso de novos pedaços de mim e esses eu tô achando pelo caminho. Eu fico pensando se é difícil crescer ou se eu sou sensível demais. Mais difícil é quando você se pega naquele delicado e minucioso estado, onde você está lavando a pele, trocando as roupas e reconhecendo seu novo nome, um novo eu. Atualizado, em melhor estado ou até mesmo em uma atualização que deu errado, se é que isso é possível. E quando o tempo passa, você novamente se vê trocando tudo de novo; remendando uns pedaços e rasgando algumas partes que não fazem mais sentido algum. Em toda essa transição, só há uma certeza; a nudez. O momento em que o corpo fica nu, esperando as novas vestes. E talvez, essa seja a parte que mais doa em toda essa mudança, pois o corpo fica vulnerável, sensível ao frio que arrepia a pele e ao calor que a faz suar. Na nudez se enxerga o corpo. Faz parte de crescer reconhecer as suas cicatrizes, as suas formas; as antigas e as novas e saber amá-las. Na nudez se aprende a se amar, a se reconectar e a entender quais são as melhores roupas a se vestir hoje. Descobri que me encontro na minha nudez.
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© Borboletra