O amor que me contaram

Eu me apeguei ao que dizem que é amor, me apeguei ao que dizem que é amar. E que triste ilusão é essa que garante meus erros, que me faz cavar uma cova que eu mesma criei e enterrar junto com ela todas as luas, as estrelas e tudo o que eu poderia contemplar a dois?!
Quem criou essa maldita ilusão de que o amor é um lírio que aflora em todas as estações e no inverno ele permanece sem congelar no frio? Eu me apeguei a esse lírio. Quero pisá-lo e arrastar meus pés pintando o chão com seus restos; deixar o chão corado com as suas organelas e assim, quando eu pensar que esse lírio é bonito, eu vou olhar pra o chão marcado só pra lembrar que esse lírio não é real. Porque o que é real do amor é que mais do que ser lindo, ele é doloroso. E é engraçado, porque dói para dá-lo, mas dói muito mais quando vivemos sem o tê-lo. E é por isso que eu me apeguei á esse maldito lírio. Porque o que me faltou, eu idealizei da maneira mais mentirosa que me contaram.
Parem de plantar os lírios! Eles estão ocupando espaços da verdade no jardim.
Só agora, eu percebi que o lírio que odeio tanto é regado por mim.
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© Borboletra