Cortar, verbo que muda

Cabelos ondulados, longos, fáceis de serem levados pelo vento. Deles saíam um brilho refletindo beleza; exalavam um perfume que acariciava as narinas quando se inspirava. Qualquer movimento e qualquer coisa que ela fizesse com eles a fazia parecer uma deusa. Ela tinha uma presilha em forma de libélula que prendia parte do fios em cima da orelha direita. Era tão bonita.
Por uma série de desventuras, ela estava triste. São aqueles momentos que não se adiam, nem se pode fazer muito pra mudar o infortúnio. Com uma senhora habilidosa e uma tesoura, cortou os cabelos. Tão curtos quanto os cabelos da Winona Ryder em "Outono em Nova York". Cortou-os como qualquer mulher que corta os cabelos quando quer mudar. Não essencialmente a si, mas a tudo. Porque talvez, quando certas coisas por um momento se mostram imutáveis; cortar os cabelos traz a sensação de poder mudar as coisas. 
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© Borboletra