Ela é amiga e é inimiga.
Ela vive e morre e até ressuscita.
Ela não liga para o homem que a chama de bonita; ela liga para o homem que a ama.
Ela se vê em espelhos quebrados e acha o espelho ruim; ela é assim.
Ela cria ilusões e ela mesma as desfaz.
Ela é sagaz.
Ela é tímida.
Ela é meiga.
Ela é aquela que grita.
Ela chora, ela ri, ela não liga pra nada. Ela desliga.
Ela começa, termina e começa de novo até terminar.
Ela desiste, ela insiste, ela desfaz quando fez.
Ela mata a cabeça onde o piolho anda.
Ela samba, ela anda, ela cai e levanta de novo.
Ela é rica, ela é pobre é a viúva e a casada.
Ela é a noiva de vestido rasgado.
Ela é aquela que gosta de boneca.
Ela é aquele que usa fraldas.
Ela é assim.
Ela se lança pra amar; ela é lançada por querer ser amada.
Ela sorri mil vez com dente ou sem dente.
Ela joga os cabelos; ela corta a unha do dedão do pé.
Ela é aquela no caixa segurando a sacola.
Ela é aquela no banco pagando as contas.
Ela é assim.
Ela é aquela.
Ela é ela.
Ela sou eu, ela é você.
Ela é toda mulher.